O filme

Um acidente matou Mariana há alguns anos. Depois disso, seu núcleo familiar nunca mais foi o mesmo. Constâncio, marido de Mariana, e as duas filhas, Mara e Antônia, se afastaram. As obrigações da vida adulta, as ambições, o choque da perda, tudo contribuiu para o distanciamento da família. Constâncio continua na mesma casa no interior. É professor aposentado da Universidade local. Antônia, a filha mais nova, é atriz na capital. Vive uma vida de altos e baixos financeiros. Tem uma ótima relação com o pai, desde pequena. Tem orgulho do seu mestre, seu grande amigo. Mara, a filha mais velha, é uma das economistas mais respeitadas do País. Quando jovem foi atingida por um tiro e perdeu os movimentos das pernas. Na adolescência, era rebelde e mau humorada, e com o tempo se tornou uma pessoa sarcástica e amargurada com a família. Quando Antônia está presente, vira o foco de suas agressões. Quando crianças, tinham uma cumplicidade de dar inveja. Hoje, as duas irmãs não conseguem manter um diálogo sem trocar ofensas.

Uma possível reviravolta no caso da morte de Mariana, obrigou os familiares a se reunirem. O corpo de Mariana deverá ser exumado a pedido da Justiça, e a família quer estar presente nesse momento. Antônia é a primeira a chegar na antiga casa. O reencontro com o pai é carregado de saudosismo e muita alegria. Para surpresa de todos, Mara resolveu ficar na casa do pai. Não gostou do atendimento e das acomodações do hotel. Junto com Mara veio Anselmo. Ele é o seu faz-tudo, seus braços direito e esquerdo. Ele é surdo, mas “escuta” até o que Mara não diz.

Mara faz questão de fazer dessa reunião de família um momento não muito agradável. Os dias são tensos, cheios de brigas e desaforos. Mara distribui farpas desde a hora em que acorda até a hora que vai dormir. Constâncio tenta amenizar a tensão e melhorar o clima, já que a expectativa da exumação está deixando todos muito nervosos. Após um jantar agradável em família com a presença de Demétrio, com quem Antônia sai, recebe uma ligação desesperada de Constâncio, que avisa que Mara cortou os pulsos.

Antônia corre assustada para casa. Mara está ensanguentada. Xinga o pai, que pouco reage. O que Mara diz é cada vez mais agressivo, e são acusações diretas ao pai. Antônia, muito irritada, não consegue entender a situação. Mara acusa o pai de abusar dela na infância, e instiga Antônia a confrontá-lo. Enfraquecida por causa da perda de sangue, Mara é desarmada e conseguem levá-la ao hospital.

Mas Antônia não esquece as acusações e procura por respostas. Percebe a ambiguidade com que o pai trata o assunto: não nega nem confirma. Antônia confronta Constâncio e descobre a verdade. Ele confessa e não demonstra muita culpa. Ele considera uma falha, mas que já está esquecida pois o tempo passou. Para Antônia, a imagem do pai amoroso não existe mais.

Esta é a história de uma família transformada pela violência sexual, onde se perdeu a confiança, a inocência, a autoestima, o valor à vida e o amor fraterno. Pouco sobrou, talvez nada de valor tenha restado… para Nós, que nos queremos tão pouco.]