O Projeto

Nós, que nos queremos tão pouco é um filme de longa-metragem, de aproximadamente 90 minutos, realizado em formato digital na cidade de Porto Alegre/RS. É a história da revelação de um segredo, o ponto de virada em que a protagonista decide por fim ao sofrimento silencioso e compartilhá-lo com a irmã, ao mesmo tempo em que acusa abertamente o pai. É uma história impactante e comovente que nos faz questionar tudo o que optamos por não ver, por não saber, e mesmo por esquecer. E no fim nos obriga a perceber que pouco sobrou, talvez nada de valor tenha restado… para Nós, que nos queremos tão pouco.

O filme traz uma narrativa de estrutura circular. A história mescla 3 tempos na vida da família Avelar. Nós, que nos queremos tão pouco, é um filme dramático, cujos diálogos têm importância estrutural para o desenvolvimento da história – mesmo que estes diálogos nem sempre se façam através da fala. Além disso, o objeto do filme é o ser humano, colocado em situações cotidianas, algumas vezes complexas, de fortes implicações afetivas. O filme abordará a vivência mais prosaica do sujeito vulgar, da família comum, mas explorando as suas consequências emocionais mais inusitadas e profundas. Nós, que nos queremos tão pouco trabalhará alguns elementos essenciais do gênero dramático como a crítica, o realismo, a reflexão e a problematização acerca da sociedade, de suas normas e valores, bem como do lugar do indivíduo, das suas errâncias e tensões.

Nós, que nos queremos tão pouco conta a história de uma família devastada pelo abuso sexual intrafamiliar e pelas consequências deste trauma. Apesar de o filme ser ficcional, o abuso sexual ocorre em todo o mundo e os países com os maiores índices do crime mostram que ele é global: no Brasil, estima-se que o abuso sexual contra crianças e adolescentes atinja mais de 30% da população; na África do Sul, uma criança é estuprada a cada três minutos; na Índia, a taxa de abuso sexual de crianças subiu 336% de 2001 a 2011; no Reino Unido, uma em cada 30 crianças foi abusada e 90% destas crianças foram abusadas por alguém que conheciam; nos Estados Unidos, estima-se que existam 42 milhões de sobreviventes de abuso sexual.

Nós, que nos queremos tão pouco trabalha os segredos familiares que, segundo Marilyn J. Mason, “fazem com que nos sintamos sobrecarregados e presos nas histórias de outras pessoas; quando não podemos passar o conhecimento adiante, excluímos os outros. Quando nos referimos aos segredos, implicamos informações escondidas – isto é, informações que são “devidas a outros”. O segredo protege algo, mantendo-o invisível a outros”. Os segredos normalmente envolvem tabus culturais relacionados a dinheiro, sexo e doenças.

Em Nós, que nos queremos tão pouco o segredo é o elo invisível que aprisiona, que castiga, e que, quando rompido, liberta e permite o difícil recomeço. O rompimento deste elo aprisionante é o que se deseja com as discussões que serão provocadas pelo filme.